Memórias de um Homem só

Posted in Pensamentos on Dezembro 10, 2009 by Duarte Dias

Afirmar hoje que Sócrates não morreu no momento em que ingeriu o veneno que o adormeceria para sempre, é dizer que alguns dos seus ideais pelos quais sempre lutou, senão todos, se encontram actuais e a viverem entre nós. É dizer que a sua morte foi realmente injusta e consumada sob o efeito da convicção, infelizmente ainda hoje presente em cada um de nós, de “ter o rei na barriga” e não permitir a existência da sua oposição.

De facto, a actual sociedade do século XXI demonstra padecer de uma doença da qual nunca se conseguiu curar e que Sócrates profetizou há alguns séculos atrás. A doença da sabedoria ignorante. Esta doença, por muito que o Homem se esforce a provar que dela não padece, o seu dia-a-dia continua a demonstrar exactamente o contrário.

Sem necessidade de nos alargarmos a um universo muito maior, vejamos o caso da sociedade portuguesa. Os portugueses, talvez por vaidade ou não, são incapazes de não opinar seja ele sobre o que for. Desde a medicina à política, do desporto à pesca, da arquitectura à pecuária, o que é certo é que possuímos uma invulgar capacidade operante para produzir opiniões sobre tudo e todos.

Qual de nós admite que nunca se referiu a um tema do qual não percebe rigorosamente nada, só porque lhe parecia conveniente fazê-lo naquele momento? Qual de nós nunca comentou sobre política? Sobre economia? Sobre desporto? Qual de nós, ao ver um amigo com uma dor de cabeça, nunca lhe realizou um diagnóstico e até lhe sugeriu medicação?

Este conhecimento, ignorância como lhe chamava Sócrates, abunda em cada um de nós e em grandes quantidades. O bom português que se preze tem que saber um pouco de tudo e tudo de todos, independentemente de estar habilitado para tal ou não.

Ninguém é capaz de dizer que não sabe. E quem tem coragem para o fazer arrisca-se a ser alvo de chacota e de ser acusado de estúpido.

Ora, à luz daquilo que defendia Sócrates na sua filosofia, este “raciocínio barato” é extremamente condenável. Para se alcançar um ideal de justiça e de verdade é necessário que cada um de nós se examine a si próprio e que se auto-mentalize que a sua sabedoria não é infindável e infinita. O saber reconhecer que afinal não passamos de ignorantes em relação a todos aos desafios que este mundo nos propõe, é o primeiro passo para o objectivo que o filósofo sempre desejou, um Homem mais justo.

À luz da filosofia socrática, ser ignorante não significa perder a auto-confiança em nós próprios. Significa perder a arrogância com que muitas vezes nos relacionamos uns com os outros só porque temos a “mania” de sermos os “senhores da verdade” e da sabedoria.

Num mundo cada vez mais global urge alterar mentalidades. As realidades nacionais não são mais pessoais, mas sim colectivas. O “Eu” passou a “Nós”, e certamente que o nosso comportamento individual se fará reflectir nos outros. O resultado disto? Tal como se acredita numa teoria de regressão do processo científico do Big Bang, em que quando se atingir o ponto máximo de expansão da matéria esta iniciará um percurso inverso, também no processo social acredito que possa acontecer o mesmo. Quando a arrogância da sabedoria e da superioridade cega atingir o seu ponto máximo de expansão, voltaremos, passo a passo, a um passado de isolamento pessoal, em que cada Homem será a sua própria ilha, alimentando-se do seu próprio saber, sem oportunidade de o partilhar e de se cultivar e construir também com o conhecimento que o outro lhe poderia oferecer.

Nós os “outros”

Posted in Pensamentos on Novembro 26, 2009 by Duarte Dias

Já não é novidade para quem passeia pelas ruas de qualquer cidade mundial descobrir aí um negócio característico de outro ponto do mundo completamente diferente. Já não há qualquer espanto em ver um restaurante chinês numa cidade portuguesa. Uma pastelaria portuguesa na Suíça. Porquê? A resposta é simples: Globalização.

De facto, a partir de meados do século passado temos assistido a um movimento de “invasão” de todos, àquilo que até então pertencia a apenas “alguns”. Com a chegada do termo Globalização, o individual deu lugar ao colectivo, o “meu” deu lugar ao “nosso”.

Porém, se pensarmos em termos da história do Ser Humano, este fenómeno não é tão novo quanto isso. Desde o seu surgimento que o Homem sentiu a necessidade de se relacionar com os outros para assegurar a sua própria sobrevivência, ou seja, Comunicar. Hoje em dia o que muda é a dimensão do processo comunicativo, resultante do desenvolvimento desenfreado de múltiplos aspectos da Humanidade e do seu espaço, o Mundo.

Em pleno século XXI o Mundo é uma autêntica “manta de retalhos”. “Manta” esta que para se manter unida tem que aceitar todos os seus “retalhos”, independentemente da sua origem e do material de que são feitos. Estes devem estar bem “costurados” e interligados, pondo à disposição todas as suas potencialidades e defeitos, sendo este o primeiro passo para o funcionamento da mesma.

O Interculturalismo só poderá ser uma realidade com o respeito e com a capacidade de aceitar o “outro” tal como ele é, aceitando os seus pontos fortes e as suas dificuldades, interagindo e cooperando para um desenvolvimento global, uniforme e uníssono. A individualidade de cada sistema cultural nunca será posta em causa, aliás, só tende a recolher aspectos positivos para o seu próprio crescimento e desenvolvimento.

Todavia, dado o estado avançado do actual “Mundo Global”, é necessária uma educação eficaz destes aspectos-chave. Como tal, cabe a cada país proporcionar à sua população um método educacional amplamente rigoroso e satisfatório. A Escola, enquanto Instituição de formação de mentalidades e do desenvolvimento do Ser Humano, tem a obrigação de desempenhar um papel fulcral e central nesta temática, orientado para o acolhimento, para a compreensão, para a partilha e para o respeito por qualquer cidadão, que pelas mais variadas razões nos “bate à porta”.

Será imaturo não reconhecer o esforço realizado nos últimos tempos no sentido de proporcionar condições favoráveis à troca e vivência pacífica entre as várias culturas. Contudo, este é um trabalho que nunca será, nem poderá ser dado por terminado. Todos os dias e a toda a hora surgem novos desafios, novos obstáculos, novos “retalhos” para costurar e coser. O nosso maior desafio enquanto cidadãos responsáveis e dignos é assegurarmos que cada um de nós será um bom costureiro, seleccionando e utilizando os melhores materiais e as melhores técnicas colocadas ao nosso dispor na formação de uma “manta” cada vez mais sólida e unida. A unidade é o espelho e o resultado da diversidade.

Despertar!

Posted in Pensamentos on Setembro 18, 2009 by Duarte Dias

Hoje, ao acordar, lembrei-me que sou mais um ser aqui. Um ser, que tal como tantos outros, vive e age em função de algo, em função de objectivos. Aqui, neste mundo! Neste local simbólico de degradante descrença geral. Todos o críticam, todos o minimizam, todos o desacreditam. Eu próprio sou um “desses”.

No entanto, verdade seja dita: quantos dos que críticam, incluíndo eu, já fizeram algo para alterar este paradigma? Quantos, incluíndo eu, demosntram responsabilidade e iniciativa para acabar com isto?

Criticar não basta. Criticar por criticar não leva a lado nenhum. Não basta pensar, é preciso agir!

Saudades…

Posted in Administração on Setembro 8, 2009 by Duarte Dias

Saudades de escrever no EXISTIR!

Saudades de me abrir ao mundo!

Saudades de sonhar e fazer sonhar!

Brevemente novidades…

Posted in Pensamentos on Julho 22, 2009 by Duarte Dias

Só um louco pode dizer que não sente.

Não será a loucura sinónimo de inteligência?

A vivência de cada um é a inteligência de cada qual!

A voz do Silêncio

Posted in Quem sou eu? with tags , on Junho 19, 2009 by Duarte Dias

Partiste,

vi-te sair pela porta onde,

tantas vezes entras-te.

Inconsciente eu,

não sei porquê.

Inconsciente que era,

que sou, que serei.

Não te procuro,

não te perdi.

A vida traz-te até mim,

silencio,

mas para quê palavras?

Não preciso de ouvir,

sinto-te,

AQUI!.

Beijinhos e abraços para todos!!

Posted in Pensamentos with tags , , , on Junho 5, 2009 by Duarte Dias

Cartazes, outdoors, brindes, promessas, críticas, insinuações, choraminguices, tudo serve!

E as medidas? e os projectos concretos? e os portugueses? e as ideias debatidas? Ja alguém viu alguma coisa disto? Eu não.

Cada vez mais estes “nossos” políticos são uma autêntica fantochada. Querem ganhar o deles à custa de 9 milhões, desgraçados muitas vezes sabe-se lá a viver como e de quê. Mas isso não importa. O que verdadeiramente importa são campanhas de rua, promessas ao Ti Zé, uma caneta à Ti Maria, um autocolante ao Joãozinho, tudo isto com um sorriso de orelha a orelha, como se fosse isto a solução para os problemas de Portugal, dos portugueses, e de uma Europa cada vez mais a viver em função da macroeconomia.

Debates públicos de ideias concretas, medidas verdadeiramente assertivas, ouvir os cidadãos? Naaaaaaaaa…isso é para meninos! O que importa é poleiro…o resto que se desenrasque.

O pior disto tudo é que ninguém diz nada, ninguém se impõe, ninguém lhes corta o pio. É difícil? É! Mas não é impossível. Não é um, não são dois, muito menos três que vão marcar a diferença. Para quando um Portugal limpo? Eu digo que nunca. Digo também que o pior inimigo de Portugal e dos portugueses são as suas gentes humildes. É por serem gentes humildes, que se calam perante tudo o que lhes dizem, e que estamos na situação que estamos. É por sermos governados por pessoas como as que temos tido desde sempre, e espero que não seja para sempre, que estamos assim.

Beijinhos e abraços para todos que vou para Bruxelas!

Manifesto I

Posted in Pensamentos with tags , , on Abril 27, 2009 by Duarte Dias

Crise…Onde? Será que estamos mesmo em crise?

A avaliar pelo movimento de obras nas cidades, vilas e aldeias de Portugal parece que não. Mas porque é que Portugal está de “patas para o ar” nestes dias? Obras em todo o lado, novas vias, requalificações, rotundas, e até sorrisos. É caso para perguntar o que se passa?

Pois bem, o que se passa é que estamos em ano de eleições. É esta a resposta.

Normalmente, os “nossos” políticos aproveitam esta fase final de mandato para, numa espécie de sprint final, TAPAR os olhos às pessoas, das quais só se lembram agora, passados que estão quatro anos de ANONIMATO total. Infelizmente, esta estratégia superficial e habilidosa, tem atingido, quase sempre, os resultados esperados por quem a desenvolve.

Tenho 21 anos, é a primeira vez que vou votar, mas confesso que não tenho grande vontade. No entanto, irei usar do meu direito de cidadão, para fazer aquilo que a minha consciência me ordenar. Sim, eu votarei em consciência, não tenho cor política felizmente, mas sei que por vezes isso é um obstáculo. Prefiro assim, prefiro ser eu a delinear o meu caminho, e não me deixar guiar por interesses de quem, 99,9% das vezes, só olham para nós uma vez de quatro em quatro anos.

Tenho consciência que este texto não se aplica a todos aqueles que se propõem a sufrágio. Tenho consciência que ainda existem pessoas sérias, pessoas verdadeiramente interessadas  no bem-estar dos outros. Por mais estranho que pareça, são essas as pessoas que ficam sempre no papel de interesseiros e “ladrões”, para utilizar o português mais correcto. Sempre assim foi e será, quem for mais sério é quem é tramado. Não me refiro só á política, é em tudo.

Vale a pena lutar contra esta teia? Eu tenho a minha opinião, e é positiva. Vale sempre a pena lutar pelos nossos direitos e pela nossa dignidade. Quem se limitar a ser conduzido, limita-se-à a não ser mais do que aquilo que já é.

MUNDO…

Posted in Pensamentos on Abril 1, 2009 by Duarte Dias

Há dias em que apetece acabar com ele (Mundo).

Não concordam?

Este mundo é o quê? Já não me identifico muito com certas partes que o compõem. Infelizmente, sei que não sou o único.

Que fazer para alterar o rumo dos acontecimentos?

Aceitam-se sugestões…deixe-as aqui.

Evidência

Posted in Pensamentos with tags , , , on Março 28, 2009 by Duarte Dias

“A última viagem é sempre a derradeira”