Nós os “outros”

Já não é novidade para quem passeia pelas ruas de qualquer cidade mundial descobrir aí um negócio característico de outro ponto do mundo completamente diferente. Já não há qualquer espanto em ver um restaurante chinês numa cidade portuguesa. Uma pastelaria portuguesa na Suíça. Porquê? A resposta é simples: Globalização.

De facto, a partir de meados do século passado temos assistido a um movimento de “invasão” de todos, àquilo que até então pertencia a apenas “alguns”. Com a chegada do termo Globalização, o individual deu lugar ao colectivo, o “meu” deu lugar ao “nosso”.

Porém, se pensarmos em termos da história do Ser Humano, este fenómeno não é tão novo quanto isso. Desde o seu surgimento que o Homem sentiu a necessidade de se relacionar com os outros para assegurar a sua própria sobrevivência, ou seja, Comunicar. Hoje em dia o que muda é a dimensão do processo comunicativo, resultante do desenvolvimento desenfreado de múltiplos aspectos da Humanidade e do seu espaço, o Mundo.

Em pleno século XXI o Mundo é uma autêntica “manta de retalhos”. “Manta” esta que para se manter unida tem que aceitar todos os seus “retalhos”, independentemente da sua origem e do material de que são feitos. Estes devem estar bem “costurados” e interligados, pondo à disposição todas as suas potencialidades e defeitos, sendo este o primeiro passo para o funcionamento da mesma.

O Interculturalismo só poderá ser uma realidade com o respeito e com a capacidade de aceitar o “outro” tal como ele é, aceitando os seus pontos fortes e as suas dificuldades, interagindo e cooperando para um desenvolvimento global, uniforme e uníssono. A individualidade de cada sistema cultural nunca será posta em causa, aliás, só tende a recolher aspectos positivos para o seu próprio crescimento e desenvolvimento.

Todavia, dado o estado avançado do actual “Mundo Global”, é necessária uma educação eficaz destes aspectos-chave. Como tal, cabe a cada país proporcionar à sua população um método educacional amplamente rigoroso e satisfatório. A Escola, enquanto Instituição de formação de mentalidades e do desenvolvimento do Ser Humano, tem a obrigação de desempenhar um papel fulcral e central nesta temática, orientado para o acolhimento, para a compreensão, para a partilha e para o respeito por qualquer cidadão, que pelas mais variadas razões nos “bate à porta”.

Será imaturo não reconhecer o esforço realizado nos últimos tempos no sentido de proporcionar condições favoráveis à troca e vivência pacífica entre as várias culturas. Contudo, este é um trabalho que nunca será, nem poderá ser dado por terminado. Todos os dias e a toda a hora surgem novos desafios, novos obstáculos, novos “retalhos” para costurar e coser. O nosso maior desafio enquanto cidadãos responsáveis e dignos é assegurarmos que cada um de nós será um bom costureiro, seleccionando e utilizando os melhores materiais e as melhores técnicas colocadas ao nosso dispor na formação de uma “manta” cada vez mais sólida e unida. A unidade é o espelho e o resultado da diversidade.

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